Epidemiologia da Baixa Visão na América Latina e Chile

Dr. Fernando Barría von-Bischhoffshausen
Associação Panamericana de Oftalmologia / IAPB VISIÓN 2020 Latinoamérica
Colaboração:
Sra. Patricia Ramos, Terapeuta em Baixa Visão, Universidade de Concepción e Coalivi, e
Sr. Fernando Barría Mora, estudante de Medicina, Universidade de Concepción

Um dos grandes avanços na oftalmologia mundial foi a realização de estudos comunitários, que permitiram estimar o predomínio de cegueira e baixa visão. No fim do ano de 2010 tinham sido realizados 56 estudos rápidos de cegueira evitável (RAAB) no mundo, o que nos permite ter uma boa aproximação das causas de cegueira e de baixa visão, assim como seu impacto em saúde pública (Figura N1). Dos estudos realizados, 11 estudos RAAB foram efetuados na América Latina, o que permitiu estimar que existem 23 milhões de pessoas com baixa visão (visão menor a 20/60 no melhor olho com a melhor correção óptica) e umas 3,2 milhões de pessas cegas (visão menor a 20/400 no melhor olho com a melhor correção óptica).

Figura N 1: Causas globais de cegueira e baixa visão, segundo estimativa realizada no ano de 2010.


Tudo isto nos permite saber as causas de baixa visão a nível comunitário, mas além disso devemos considerar quais são as causas de baixa visão a nível de um serviço de baixa visão, por isso analizaremos ambos pontos separadamente.
Um estudo realizado no ano 2008, analizando os primeiros 8 RAAB realizados en AL (1), demonstrou que o predomínio de baixa visão bilateral flutuava entre 5,9 a 18,7% nas pessoas maiores de 50 anos de idade avaliadas, considerando o olho de melhor visão. A grande variação deste predomínio está relacionada com o tipo de estudo realizado, considerando que alguns RAAB são em população urbana (Argentina), outros em população rural (Peru, Guatemala) ou mistos (Chile) e, inclusive, podem ser em todo o país (Paraguay). As causas de baixa visão nos maiores de 50 anos foram a catarata (40 a 76%), um erro refrativo (18 a 50%), ou causas do segmento posterior (2 al 23%), sendo outras causas como Glaucoma ou Diabetes apenas descritas. Exatamente o mesmo resultado foi encontrado no Chile, onde a cegueira afetou a 1,2% dos maiores de 50 anos e a limitação visual a 9,2%, sendo sua causa um erro refrativo (42%) ou uma catarata (31%) (2,3).
Se analizamos as patologias que ingressam nos serviços de baixa visão, não é muito o que se publica. Uma análise realizada pela Corporação de Ajuda Ao Limitado Visual COALIVI (Centro de Educação e Reabilitação para pessoas com discapacidade visual) da região de Bio Bio no Chile, nos mostrou sua experiência em um modelo de atenção realizado em Concepción, Chile por uma unidade de baixa visão. Entre os anos 1998 e 2008 foram atendidos 2.056 pacientes, destes 50% tinha 50 anos ou mais, e puderam ser reabilitados visualmente 82% dos casos. As causas mais frequentes foram a alta miopia, a retinopatia diabética, a degeneração macular associada a idade e a retinose pigmentar, entre outras.

Figura N 2: Patologias associadas ao programa de baixa visão do COALIVI (Concepción, Chile)

As ajudas visuais são obtidas no Chile graças ao apoio de programas estatais, como o Serviço Nacional da Discapacidade (SENADIS), que entrega ajudas técnicas às pessoas com discapacidade de baixos recursos econômicos; e existe um programa que apoia as crianças em idade escolar chamado Junta Nacional de auxilio Escolar e Bolsas (JUNAEB), que oferece de lupas e cavaletes como uma forma de assegurar uma integração escolar destes alunos com Baixa Visão em Escolas Municipais. Este programa JUNAEB depende do ministério de educação do Chile, e desde 1992 conta com um programa de oftalmologia que entrega óculos às crianças com limitação visual. Desde 2006 conta com um protocolo de baixa visão que entrega a cada três anos uma lupa e um cavalete as crianças beneficiárias com objetivo de que possam ler e, com isso possam se integrar a uma escola regular e conseguir equidade em sua educação.
Em 2006 foi realizada uma análise de 46 crianças que ingressavam ao COALIVI e foi possível establecer que a principal causa era a má formação ocular, no entanto a segunda causa estava associada à catarata congênita bilateral e logo a retinopatia do prematuro, ainda que em algumas destas crianças em que estava asociada a outros déficites eram integradas em outros programas de apoio.

Figura N 3: Causas de crianças ingressadas à escola de cegos no COALIVI (Concepción, Chile)

Em 2012 se avaliou os atendimentos no servicio de baixa visão do hospital regional de Concepción, quando se constatou que as principais causas são a retinose pigmentar, a degeneração macular, a alta miopia e a catarata congênita.

Figura N 4: Causas de baixa visão do serviço de baixa visão do Hospital Regional / Universidade de Concepción (Concepción, Chile).

Por último, devemos insistir na necessidade da educação para que o oftalmologista conheça o que é uma baixa de visão e saiba que existe ajudas ópticas que podem melhorar a qualidade de vida de um paciente, evitando dizer que no há mais nada que se possa fazer ou que não há óculos mais potentes para ver melhor. Desde 2005, se realizaram módulos educativos de baixa visão no curso de formação de oftalmologistas de Chile para educar o residente quanto a este tema. 

Finalmente toda evidência indica que no futuro, a medida que se prolongue a expectativa de vida, aumentará a limitação visual e a cegueira no mundo. Um trabalho (4) mostra que despois dos 40 anos se triplica a probabilidade de perda visual e aos 90 anos a metade das pessoas têm algum grau de impedimento, portanto, se consideramos que a idade é o fator de risco de perda visual mais importante e, se aumenta a esperança de vida, vamos ter um maior número de pessoas com limitação visual no mundo. Todo um desafio.

BIBLIOGRAFIA:
1.- Limburg, H, Barría F, Gomez, P, Silva JC y Foster A: Review of recent survey on blindness and visual impairment in Latin America, Br J Ophthalmol 2008; 92:315-319
2.- Barr’a, F, Silva JC, Limburg H, Mu–oz D, Castillo L, Mart’nez L, Salinas E, Vegas F, Werner M, Riquelme A y Troncoso M: Análisis de la prevalencia de ceguera y sus causas determinados mediante encuesta r‡pida de ceguera evitable (RAAB) en la VIII regi—n, Chile. Arch. Chil. Oftalmol. 2008 64(1-2):69-78
3.- Barr’a, F, Silva JC, Limburg H, Mu–oz D, Castillo L, Mart’nez L, Salinas E, Vegas F, Werner M, Riquelme A y Troncoso M: Análisis de las barreras, cobertura y resultados postoperatorios de cirug’a de catarata determinados mediante encuesta rápida de ceguera evitable en la VIII regi—n, Chile. Arch. Chil. Oftalmol. 2008 64(1-2):79-88
4.- Buch, H, Vinding,T, la Cour M, Appleyard M, Jensen G, Nielsen V: Prevalence and Causes of Visual Impairment and Blindness among 9980 Scandinavian Adults. Ophthalmology 2004; 111:53-61.

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