Retinose Pigmentar e Baixa Visão

Dra. Vania García
Medica oftalmologista- Baixa visão.
Bolivia

Se denomina Retinose Pigmentar (RP) a um conjunto de degenerações progressivas de caráter hereditário que, de maneira difusa, afetam primariamente a função das células fotorreceptoras e do epitélio pigmentar da retina (1). É a distrofia mais comum; e é frequente seu aparecimento em centros e clínicas de Baixa Visão.
A Retinose Pigmentar é uma causa importante de cegueira no mundo e representa um desafio científico, no qual muitas vezes os descobrimentos oftalmoscópicos aparecem de forma tardia em relação aos sintomas (2). O aspecto oftalmoscópico mais encontrado é o acúmulo de pigmento em forma de osteoclastos na periferia média da retina, no nível do epitélio pigmentar (3) Fig 1 e 2
retinitis-pigmentosa
Fig (1 y 2) Aspecto clínico da retinose pigmentar
CONSEQUÊNCIAS FUNCIONAIS
• Diminuição da visão noturna ou quando há pouca luz (Nictalopia)
• Perder a visão periférica, por redução concêntrica do campo visual, originando dificuldades no deslocamento.
• Perder a visão central (em casos avançados), dificultando reconhecer rostos, ver placas ou ler, entre outros.
• Adaptação lenta à escuridão.
• Fotofobia e brilho intenso.
• Problemas com locomoção
Os pacientes se queixam de topeçar em objetos ao caminhar, de não conseguir encontrar e localizar objetos, e de dificultade para leer, já que muitas palavras se perdem.
É importante levar em conta o fato de que estes pacientes podem ter o campo visual restringido, e mostrar sérios problemas de locomoção e, mais ainda, nos lugares que não frequentam ou não conhecem; nestes casos, caminhan acompanhados ou de forma muito lenta e insegura.(4)
Ao ter afetada a retina periférica e contar com um número significativamente menor de bastonetes, estes pacientes terão sérias dificuldades para se adaptar a condições de visão escotópica (baixos néveis de iluminação), além de ser lenta a adaptação às mudanças de luminosidade (quando passam de um ambiente a outro). Também enfrentarão dificuldades para desviar de obstáculos ou objetos próximos, pois o campo visual é menor quanto mais perto se está do objeto (4).
CONDUTA E AUXÍLIOS EM BAIXA VISÃO
Muitos pacientes com retinose pigmentar têm muitas expectativas e frustrações, os que têm campos visuais tubulares têm problemas de locomoção é para eles é difícil a adaptação a esta condição. Têm muito medo de ficarem cegos e de transmitir a doença a seus filhos.(5), o que torna necessário um suporte psicológico.
O uso de sistemas de magnificação nãoo sempre tem o efeito desejado, posto que com uma retração importante do campo visual, serão poucas as letras que o paciente poderá compreender, inclusive se aumentássemos o tamanho das mesmas por meio da magnificação e/ou aproximássemos o material dos olhos, menor seria o campo de leitura(4).
São úteis na abordagem da Baixa Visão em pacientes com esta doença:
• Lupas de apoio de baixo poder e foco fixo, que permitem ajustar a distância focal e aproveitar melhor o campo útil do paciente, melhor ainda se contam com iluminação própia.

• Filtros: Lentes com filtro amarelo 508 Chadwick Optical ou Corning glass Works CPF 550 (5)
• Telescópios inversos ou invertidos de baixo poder, são implementados em pacientes que, apresentando uma restrição significativa do campo visual, apresentem boa acuidade visual. Os prismas de Fresnel não são muito úteis nestes pacientes (4)
• Lámpadas de apoio no chão e na mesa, em áreas de recreação, e nas áreas de leitura, lembrar que a luz deve ser dirigida à área de trabalho e não aos olhos.
• Utilizar persianas para realizar um ajuste natural da luz
• Sistemas de iluminação noturna (Lanternas especiais de campo ampliado e de alta intensidade, que produzam um feixe de luz amplo e brilhante que facilite a lomoção no escuro)
• Ajudas não ópticas para melhorar o contraste.
• Manter a casa organizada, com os móveis minimamente necessários e em áreas bem definidas, com cores que contrastem, evitar pisos refletores, retirar fios elétricos visíveis, utilizar sinais nas grades para marcar as bordas
• Os pacientes com esta doença devem evitar viajar e caminhar sozinhos em condições de baixa iluminação
• É importante que os pacientes com esta doença saibam e tenhan a esperança de que estão sendo realizados muitos estudos a nível mundial para curar a retinose pigmentar e que, em qualquer momento, poderá aparecer algum tratamento para esta patologia.
Por outro lado, caso seja necessário que sejam operados de catarata, se recomenda que o oftalmologista realize o cálculo da lente intraocular com a intensão de deixar seu paciente míope de aproximadamente -2.50 dioptrias.
É importante destacar que uma porcentagem significativa deles seriam beneficiados com treinamento em orientação e locomoção oferecido por pessoal capacitado.(4)

Bibliografia
1. Berson EL. Retinitis pigmentosa and allied retinal diseases. In: Tasman W, Jaeger EA, eds. Duane’s Ophthalmology. 15th ed. Philadelphia, Pa: Lippincott Williams & Wilkins; 2009:chap 24.
2. J. Donald M. Gass .Macular Diseases. Ed Mosby, 4ta edición 1997 p. 352-354.
3. Danilo D. Monteiro de Castro. Vision subnormal. Biblioteca brasilera de Oftalmologia. Ed. Cultura Medica. Brazil 1994
4. Guillermo Arroyo. Soluciones para la baja vision. 1a ed.2011 Paratexto Argentina.
5. Monica Chaundhry “Low Vision Aids” Jaypee Brothers. Medical Publishers (p) LTD New Delhi 2006.

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