Os indicadores mundiais para o monitoramento da eliminação de cegueira evitável: Um projeto piloto na América Latina

Kristen A Eckert MPhil,1 Marissa J Carter PhD, MA,1 Van C Lansingh MD, PhD,2 Juan Carlos Silva MD, MPH,3 Joan McLeod-Omawale PhD, MBA4

1Strategic Solutions, Inc., Cody, WY, USA; 2International Agency for the Prevention of Blindness Latin America (IAPB), Tlanepantla, México, México; 3Organização Panamericana de Saúde, Bogotá (OPS), Colombia; 4Orbis, Nueva York, NY, USA

Em maio de 2013, a Assembléia Mundial da Saúde (WHA, sigla em inglês) da Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a Resolução WHA 66.4, Saúde ocular universal: um plano de ação mundial para 201 4-2019 (o GAP, sigla em inglês). Na preparação para o ano 2020, este GAP actualizado inclui uma meta mundial para reduzir a prevalência da deficiência visual evitável em 25% até 2019, com respeito ao valor de referência correspondente a 2010. Para medir os progressos realizados na implementação do plano, a

OMS está compilando de forma regular, 3 indicadores chaves dos Estados-Membro:
1) A prevalência e as causas da deficiência visual
2) O número de pessoal de atenção oftalmológica, por tipo de profissão (oftalmologistas, optometristas, e pessoal oftalmológico conexo)
3) Prestação de serviços de cirurgias de catarata (a taxa de cirurgia de catarata [TCC ou CSR, siglas em inglês] e a cobertura de cirurgia de catarata [CCC ou CSC, siglas em inglês]).
Com menos de 5 anos para chegar a 2019, é importante que já seja implementada a compilação de dados dos indicadores para monitorar o progresso do GAP e identificar as boas práticas e mecanismos de informação preferíveis que possam ser adotados no mundo inteiro.
Os indicadores mundiais para o monitoramento da eliminação de cegueira evitável: Um projeto piloto na América Latina, um projeto patrocinado por The Fred Hollows Foundation, foi aprovado em outubro de 2013, com apoio financeiro adicional de Orbis e da Agência Internacional de Prevenção de Cegueira (IAPB) para os anos 2013-2015. O projeto está dirigido por Strategic Solutions, Inc, em colaboração com a Organização Panamericana de Saúde (OPS), a IAPB, Orbis. A equipe de pesquisa do projeto inclui: Marissa J. Carter (Strategic Solutions, Inc), Kristen Eckert (Strategic Solutions, Inc), Van Lansingh (IAPB América Latina), Juan Carlos Silva (OPS), e Joan McLeod-Omawale (Orbis). A finalidade deste projeto é formalizar e implementar um mecanismo regional na América Latina para compilar e informar os indicadores de saúde ocular em colaboração com os ministérios de saúde (MdS), os comitês nacionais de VISION 2020 (V2020) ou de Prevenção de Cegueira, as sociedades nacionais de oftalmologia, e outros organismos regulatórios em 5 países: Chile, Honduras, México, Perú, e Uruguai. Os objetivos importantes do projeto são a avaliação de viabilidade na compilação de dados, confiabilidade dos indicadores e sua definição con a métrica adequada, além de definir as barreiras para obter os mesmos. A avaliação final do projeto concluirá com a validação do protocolo de pesquisa para implementar este projeto de indicadores nas outras regioes do mundo além de uma publicação que apresentará as liçoes aprendidas.
A Primeira Oficina Latino-americana de Indicadores Mundiais em Prevenção de Cegueira foi organizada na cidade de Lima, Perú, de 10 a 12 de março de 2014 com o apoio logístico da Clínica “Divino Niño Jesús”. Vinte e três participantes representando Strategic Solutions, IAPB, OPS, Orbis, o Conselho Internacional de Oftalmologia (ICO, sigla em inglês), a Universidade de São Paulo-Ribeirão Preto, e os MdS, as sociedades nacionais de oftalmologia, e os comitês nacionais de Perú, Uruguai, Honduras, México, e Chile; participara, para alcançar um conhecimento mais amplo e conscientização sobre os novos indicadores mundiais relacionados a prevenção de cegueira da OMS.
Durante a oficina, as delegações de cada país apresentaram a situação atual da compilação de dados (incluindo os sucessos e as deficiências) em seus respectivos países, desenvolveram as estratégias nacionais para compilar os dados, e elaboraram um plano de trabalho para implementação do projeto de indicadores para os seguintes 6 a 9 meses. A oficina proporcionou aos participantes um conhecimento especial da importância da compilação integrada e completa dos dados dos setores público e privado.
As liçoes chaves aprendidas em Lima incluem:
• A cooperação inter-setorial e inter-institucional é essencial para o sucesso da compilação completa e exata de dados. A oficina juntou as três partes interessadas de cada país que realizam a compilação de dados e os motivou a colaborar juntos para desenvolver as estratégias para obtenção dos mesmos e planos de trabalho concretos para melhorar a implementação dos indicadores mundiais em seus respectivos países. Um resultado importante foi a elevação do conceito do Comitê Nacional nos países, que havia sido gradualmente diminuído nos últimos anos.
• Outras lições importantes: a ênfase na necessidade de um registro completo de dados, o papel da padronização na epidemiologia e a compilação de dados, e o processo de validação dos mesmos. A norma para informar ao TCC está definida como cada cirurgia de cataratas informada pelos MdS, mas estas cifras podem ser difíceis de conseguir com os oftalmologistas ques trabalham nas clínicas privadas e não estão afiliados as sociedades nacionais de oftalmologia. É recomendável validar o número de cirurgias de cataratas realizadas anualmente em cada país, com os dados de importação e de venda de lentes intraoculares. Isso requer a cooperação inter-institucional com os ministérios de economia, além da indústria em alguns casos. Uma solução pendente é o desenvolvido por modelos matemáticos que possam estimar os dados do setor privado, onde se conhece os dados frequentemente são incompletos.
• Existe uma grande variação e inconsistência de um país a outro com respeito a suas definições de “equipe integrada de atenção oftalmológica.” Uma lição muito importante aprendida com respeito a confiabilidade da compilação de dados foi o desafio da padronização dos indicadores mundiais para os diferentes tipos de profissão de atenção oftalmológica. O GAP da OMS inclui o indicador chave da cifra de pessoal de atenção oftalmológica, por tipo de profissão que se baseia no número de oftalmologistas, optometristas (onde a profissão está legalmente constituída) , e pessoal oftalmológico conexo em cada país para determinar a disponibilidade e as lacunas do pessoal de atenção oftalmológica. Não há padronização nem de optometristas nem de pessoal oftalmológico conexo em América Latina. Alguns países não permitem optometría. Não existe critério para os assistentes oftalmológicos (que frequentemente são enfermeiras sem treinamento em saúde ocular em alguns países). São necessários os requisitos mínimos de competência para optometria e o pessoal oftalmológico conexo. Também é necessária a certificação regional para os oftalmologistas e treinamento cirúrgico com o fim de medir e coletar melhor os dados relacionados. Pode ser necessário reconsiderar e/ou modificar este indicador a nível mundial devido a falta de padronização e definição universal de pessoal oftalmológico conexo.
• Para a implementação do projeto, há necessidade de manter comunicação forte e clara entre a equipe de pesquisa e todos os participantes, além de manter coordinação entre os três setores envolvidos em cada país e continuar o intercâmbio de conhecimentos entre todas as partes, para manter a motivação e aprender da experiência em cada país. Isso inclui o apoio técnico da equipe de pesquisa para facilitar a oferta das ferramentas e recursos necessários para compilar efetivamente os dados em cada país e ajudar a motivar os governos a adotar novas medidas.
Ao final de 2014, estima-se que todos os países acabarão a Fase 2 – Implementação depois de realizar as ações propostas em seus planos de trabalho para os indicadores mundiais e fortalecer a compilação de datos. A Fase – 3 Compilação de Dados será em 2015. O projeto terminará com a Fase 4 – Análise Final e Avaliação. O informe final será publicado com um resumo dos dados, lições aprendidas, e as boas práticas que poderão ser utilizadas nos mesmos projetos (ou similares) em outras regiões do mundo.

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